Prever receitas é uma forma de ajudar as empresas a planear compras, investimentos, contratações e necessidades de tesouraria. Para isso, é fundamental distinguir os valores de faturação emitida, de rendimentos contabilísticos e de recebimentos.
A faturação é um bom ponto de partida, pois reúne informação sobre vendas, clientes, produtos e serviços. No entanto, emitir uma fatura não é sinónimo de receber o dinheiro. Também não determina, por si só, o rendimento contabilístico a reconhecer no mesmo período.
Neste artigo, explicamos como utilizar a faturação para prever receitas futuras de forma mais fiável e apoiar as decisões de gestão.
Para fazer uma previsão de receitas corretamente, é importante distinguir três conceitos que, apesar de relacionados, têm significados diferentes.

De acordo com o princípio da periodização económica, os rendimentos devem ser reconhecidos no período a que respeitam, independentemente da data do recebimento. Esta regra encontra-se também prevista no artigo 18.º do CIRC.
Por exemplo, uma empresa pode emitir uma fatura em outubro relativa a um serviço que será prestado ao longo dos três meses seguintes. Embora a faturação ocorra em outubro, o rendimento contabilístico poderá ter de ser reconhecido ao longo do período da prestação do serviço.
Além disso, se o cliente pagar apenas em janeiro, o recebimento será registado nesse mês.
Por isso, a faturação, o rendimento contabilístico e os recebimentos podem ocorrer em momentos diferentes. Logo, é importante analisar cada um separadamente para obter previsões financeiras mais fiáveis.
Antes de prever a faturação, é importante garantir que os dados históricos estão completos e atualizados. Para isso, a empresa deve analisar:
•Faturas emitidas, por cliente, produto, serviço e período
•Notas de crédito, devoluções, descontos e anulações
•Contratos, avenças, subscrições e encomendas confirmadas
•Propostas comerciais em negociação e respetiva probabilidade de concretização
•Alterações previstas, como mudança de preços, novos clientes ou variações sazonais
•Prazos de pagamento e histórico de recebimentos dos clientes
A previsão da faturação deve ser calculada sem IVA, uma vez que este imposto não constitui rendimento da empresa. O IVA deve ser considerado separadamente na gestão fiscal e de tesouraria.
É também importante excluir documentos anulados, valores duplicados e faturas pró-forma, uma vez que não representam faturação efetivamente emitida.
Para construir uma estimativa de faturação viável, é importante seguir passos que permitam identificar valores confirmados e fazer uma previsão de vendas futuras. Para isso, as empresas devem:
O primeiro passo é identificar a faturação recorrente contratada e as encomendas confirmadas que ainda não foram faturadas.
Neste grupo incluem-se mensalidades, avenças, contratos de manutenção, subscrições e encomendas aceites.
A análise da faturação dos meses ou anos anteriores permite identificar tendências de crescimento, períodos de maior procura e possíveis quebras nas vendas.
Para isso, a empresa pode comparar a faturação por cliente, produto, serviço ou canal de venda. Também é útil calcular a faturação média mensal e perceber quais os clientes ou produtos que mais contribuem para os resultados.
Em negócios com atividade sazonal, é preferível comparar períodos equivalentes. Por exemplo, uma empresa com maior volume de vendas no verão deve comparar julho com o mesmo mês dos anos anteriores. Não deve apenas utilizar a média anual.
A previsão deve ainda considerar alterações conhecidas. Por exemplo, deve considerar aumentos de preços, entrada ou saída de clientes, novos contratos ou mudanças na capacidade de produção.
As propostas em negociação também podem contribuir para a previsão, mas não devem ser consideradas como vendas garantidas.
Para obter uma estimativa mais realista, a empresa pode atribuir uma probabilidade de concretização a cada oportunidade. Para isso, deve ter em conta a fase da negociação e o histórico comercial.
Por exemplo, uma proposta de 5.000€ com uma probabilidade de concretização de 60% representa um valor ponderado de 3.000€ na previsão.
Desta forma, é possível incluir potenciais vendas sem sobrestimar a faturação esperada.
Por último, é importante considerar os valores que podem reduzir a faturação prevista. Incluem-se aqui os valores de devoluções, descontos comerciais, bónus contratuais, anulações e notas de crédito.
Para estimar estas reduções, a empresa pode analisar o histórico de devoluções e descontos concedidos aos clientes. Deve ainda considerar outras situações já conhecidas que possam afetar as vendas futuras.
Desta forma, a previsão aproxima-se mais da faturação que a empresa espera efetivamente realizar.
Depois da análise de dados disponíveis, a empresa pode fazer o cálculo da faturação prevista através da seguinte fórmula:
Faturação prevista (sem IVA) = Faturação recorrente ou contratada + Encomendas confirmadas + Oportunidades ponderadas − Notas de crédito, devoluções e descontos previstos
Por exemplo, uma empresa prevê faturar 42.000 € em contratos recorrentes e 18.000 € em encomendas confirmadas. Tem ainda duas oportunidades comerciais: uma de 10.000 €, com 80% de probabilidade de concretização e outra de 15.000 €, com 40%.
Além disso, estima 1.500 € em notas de crédito e descontos.

Neste exemplo, a empresa prevê uma faturação de 72.500 €, considerando os contratos existentes, as encomendas confirmadas e as oportunidades comerciais ponderadas.
No entanto, este valor representa uma estimativa e não uma garantia de faturação. Por isso, a previsão deve ser revista regularmente, à medida que surgem novas encomendas, contratos ou alterações nas oportunidades comerciais.
É também importante recordar que a faturação prevista não corresponde necessariamente ao dinheiro que a empresa irá receber no mesmo período.
Uma previsão de faturação não é feita apenas uma vez. É importante atualizá-la regularmente, para acompanhar a evolução das vendas e identificar possíveis desvios.
Para isso, a empresa deve comparar os valores previstos com a faturação efetivamente realizada, de preferência todos os meses. Por exemplo, se a previsão para determinado mês era de 20.000€, mas a empresa faturou apenas 17.000€, existe um desvio negativo de 3.000€. Neste caso, é importante perceber se a diferença resulta de vendas abaixo do esperado, encomendas adiadas ou oportunidades comerciais que não se concretizaram.
Com esta análise, torna-se mais fácil ajustar as previsões dos meses seguintes, antecipar dificuldades e tomar decisões de gestão.
Para gerir a tesouraria, é importante distinguir a faturação dos recebimentos. Para isso, a empresa deve elaborar um mapa de recebimentos, identificando as faturas por liquidar e as respetivas datas previstas de pagamento.
Esta previsão deve considerar os prazos acordados com os clientes, o histórico de atrasos e o risco de incumprimento.
Os erros mais comuns na previsão da faturação incluem:
•Considerar o valor com IVA como receita
•Tratar propostas comerciais como vendas garantidas
•Ignorar notas de crédito, devoluções e descontos
•Considerar vendas pontuais como faturação recorrente
•Confundir faturação com rendimento contabilístico
•Confundir faturação com recebimentos
•Não atualizar a previsão quando surgem novas informações
Utilizar um software de gestão como o Centralgest Cloud permite centralizar a informação sobre faturação, clientes, documentos retificativos e valores a receber.
Desta forma, torna-se mais simples consultar dados atualizados, analisar a evolução das vendas e acompanhar a faturação da empresa. Isto contribui para previsões mais fiáveis e decisões de gestão mais informadas.
Prever receitas com base na faturação permite antecipar a evolução das vendas, planear recursos e tomar decisões de gestão mais informadas. É importante para assegurar a saúde financeira da empresa.
Para obter previsões fiáveis, é essencial analisar a faturação histórica, levar em consideração os contratos e encomendas confirmadas e avaliar as oportunidades comerciais. É igualmente importante acompanhar os resultados e atualizar as estimativas regularmente.
Com informação organizada e ferramentas adequadas, torna-se fácil identificar desvios, antecipar necessidades de tesouraria e preparar a empresa para desafios futuros.
Tags: Faturação Recebimentos Receitas Previsão de Faturação Rendimentos Contabilísticos
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